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Médica de Umuarama revela que precisa escolher o paciente que tem mais chance de sobreviver

por Lud Hayashi

Nesta sexta-feira (5) foi realizada uma coletiva online, com transmissão ao vivo, com profissionais da saúde de Umuarama. Eles foram unânimes em afirmar que a situação da Covid-19 no município está grave e piorando a cada dia. Os hospitais da cidade estão no limite de atendimentos e os profissionais do setor no limite de suas forças.
A transmissão começou com a Secretária Municipal de Saúde, Cecília Cividini anunciando a morte de uma técnica de enfermagem por Covid. A confirmação ocorreu nesta sexta-feira. Cecília disse que a situação está extremamente complicada e que há pacientes aguardando vagas.
Viviane Herrera, coordenadora da 12ª Regional de Saúde, também foi enfática ao afirmar que a situação está gravíssima. Informou que dos 202 leitos de UTI da macrorregião, 195 estavam ocupados nesta manhã, ou seja, havia 7 livres (taxa de ocupação na casa dos 97%). No entanto, há 128 pacientes aguardando leitos. Os novos leitos de UTI abertos na Uopeccan Umuarama foram ocupados em menos de 12 horas.
O infectologista Raphael Chalbaud Biscaia Hartmann, médico da UTI Covid do Hospital Uopeccan, participou da coletiva enquanto a colega Carla Del Ponte intubava dois pacientes. Ele afirmou que, apesar da parceria com a Regional para ampliar os leitos na Uopeccan, em pouquíssimo tempo houve sobrecarga. “A situação ultrapassou limite tolerável e há sobrecarga de trabalho dos profissionais e de leitos”, disse.
O médico foi enfático ao falar que “infelizmente vão morrer pessoas sem ter acesso a estrutura hospitalar” e que “infelizmente vamos continuar caminhando para um desastre enquanto as pessoas inventarem pretextos”.
Chefe da Ala Covid do Hospital Cemil, o pneumologista Ronaldo de Souza, declarou que a unidade está com 15 pacientes intubados. “Não estamos de brincadeira quando falamos que a estrutura está saturada. Não tem mais vaga no Cemil e na Uopeccan. No Cemil nem no atendimento privado tem mais vaga. As pessoas estão ligando, falando em pagar, mas não tem vaga”, explicou.
O profissional comentou que o Cemil está se mobilizando para alterar a estrutura de atendimento, pois os pacientes estão chegando cada vez mais graves. E mais jovens. “Temos que fazer nossa parte ou vamos perder alguém querido na nossa vida. As pessoas estão pensando em questões financeiras, mas não tem dinheiro que compre uma vida”.
Administrador do Hospital Cemil, o anestesiologista João Jorge Hellu, declarou que a unidade está com 40 pacientes internados na Ala Covid e muitos outros esperando no pronto-socorro. “A situação está grave. Não esperava que iria viver isso”.
A médica Carla Del Ponte, da Ala Covid do Hospital Uopeccan, informou que a unidade está com 44 pacientes em ala e mais 17 em UTI. “Estamos neste momento preparando mais dois para intubar em enfermaria, sendo que eles precisariam de UTI, mas não tem”. Ela declarou que nesta sexta-feira teve que escolher o paciente mais grave para intubar. “O que teria mais chance de sobreviver”.
A profissional acrescentou que há 6 leitos de enfermaria vagos na Uopeccan, mas a equipe não está conseguindo atender, pois os pacientes que já estão internados estão com quadros muito graves. Por isso, o hospital não está mais admitindo novos pacientes.
Também há mais ventiladorres mecânicos disponíveis.
Alain Barros Correia, coordenador médico do Samu Noroeste, enfatizou que não há mais para onde levar pacientes. “Acredita que em pouco tempo vamos ficar com ambulâncias paradas na frente dos hospitais esperando vagas”. Alain lamentou que a equipe precisa transportar pacientes para outras cidades, com até mais de 300 quilômetros de distância, o que por vezes utiliza a ambulância com UTI por várias horas e impede que outros atendimentos sejam feitos. “O quadro está desesperador”, declarou.
Suelen Regina, coordenadora do Pronto Atendimento Municipal, disse que há pacientes intubados há 48 horas na unidade aguardando leito de UTI nos hospitais. Ela afirmou que a sala de emergência suporta 3 pacientes em respirador, mas está sendo reorganizada para comportar mais pessoas. “A maioria dos que chegam já estão com quadro muito grave”.
Confira no vídeo abaixo outras informações dos profissionais de saúde sobre o cenário da saúde em Umuarama, que está se encaminhando para uma fase mais caótica:

 

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