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Dogecoin, a ‘moeda-meme’: saiba o que é e os riscos de investir

por Lud Hayashi

“Elon Musk nos acha bem legais”. É assim que se apresenta a Dogecoin, uma criptomoeda que começou como piada e acabou se tornando o 7º maior ativo do tipo em valor de mercado, segundo o site Coinmarketcap.

Em 2021, a Dogecoin ganhou novo destaque justamente pelas mãos de Elon Musk. As postagens no Twitter do fundador da Tesla são os principais responsáveis pelo salto de valorização que a “criptomoeda-meme” teve em 2021.

Foi o entusiasmo do bilionário que fez a Dogecoin subir 1.100% em um mês, entre 7 de abril e 7 de maio. Musk afirmou que fez compra da moeda, acreditava em seu projeto e, dias depois do pico de valorização, chegou a dizer que passou a trabalhar com os desenvolvedores para melhorá-la.

Ainda assim, a Dogecoin é cercada de desconfianças. Um sistema pouco robusto, a possibilidade de emissão infinita e a concentração na mão de grandes proprietários são os principais problemas.

O que é Dogecoin?

A Dogecoin nasceu em 2013 para homenagear Kabosu, uma cachorra da raça japonesa Shiba Inu, que deu origem ao meme “Doge”. A feição “impressionada” do animal viralizou na rede social Tumblr, para mostrar surpresa com algo de forma sarcástica.

Os desenvolvedores Jackson Palmer e Billy Markus resolveram homenagear o meme com uma criptomoeda – que, no fundo, tirava um sarro do estouro de surgimento de uma porção de moedas digitais na época. Ambos reconhecem que tudo não passava de uma brincadeira.

A moeda, portanto, podia parar por aí. Mas, assim como o meme de origem, ela se espalhou na internet e ganhou adesão.

A foto de Kabosu, cachorra da raça japonesa Shiba Inu, que deu origem ao meme "Doge" — Foto: Reprodução

A foto de Kabosu, cachorra da raça japonesa Shiba Inu, que deu origem ao meme “Doge” — Foto: Reprodução

Quais os riscos da Dogecoin?

A Dogecoin tem um código-fonte aberto e pouco complexo. Também não há lastro e os tokens são ilimitados, o que a torna inflacionária e mais difícil de cravar um preço justo.

Ao contrário do bitcoin, que tem um número de moedas limitadas no mercado, o Dogecoin pode ser minerado infinitamente. Com tudo isso em conta, a cotação depende apenas da adoção, permite ataques especulativos e torna seu valor altamente volátil.

“Não há um time de desenvolvimento empenhado em melhorar a interface, como no bitcoin. É uma tese frágil para pensar em ativo sério para compor uma carteira de investimentos”, diz Bruno Diniz, especialista em fintechs e cofundador da consultoria de inovação Spiralem.

Outro ponto importante é a concentração. Os 10 usuários mais ricos em Dogecoin detêm 45% do total em circulação, segundo o site Bitinfocharts. No caso do bitcoin, os 100 mais ricos têm apenas 6% do bolo.

Essa é uma vulnerabilidade básica para a especulação, pois uma venda considerável de algum desses grandes detentores pode levar a cotação ao chão e fazer o aporte inicial do pequeno investidor virar pó. E, por isso, as menções ao papel de alguém como Elon Musk não são triviais.

“A Dogecoin pode dar muito retorno, mas puramente especulativo. Não há fundamentos que embasam a valorização. Hoje, é só um meme com volume alto de transações”, afirma Diniz.

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Em que posso usar a Dogecoin?

A Dogecoin não tem um uso prático disseminado, um estágio que algumas criptomoedas já atingiram. São poucos exemplos catalogados e, em geral, os usuários só adicionam à carteira e trocam entre si (peer-to-peer, ou P2P).

O código-fonte é aberto, o que permite acesso a qualquer programador. A blockchain que dá suporte é descentralizada, portanto, não há um órgão mediador na sua dinâmica.

Por ora, a moeda serve apenas como ativo para alguns investidores. Mas o sucesso de adesão criou uma forte comunidade em torno da Dogecoin, que tenta valorizá-la e ampliar a aceitação.

Essa comunidade deu demonstrações curiosas de força. Em 2014, levantaram cerca de US$ 25 mil em Dogecoin para patrocinar o time da Jamaica nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia. No mesmo ano, juntaram US$ 55 mil para patrocinar o carro de Josh Wise, piloto da Nascar.

Como comprar Dogecoin?

Sem a robustez de outras criptomoedas, há uma resistência do mercado brasileiro de listar a Dogecoin nas corretoras de criptoativos. Algumas poucas fazem venda especial para clientes de tíquete mais alto, sem oferecer ao público geral por conta dos riscos envolvidos.

“Temos a preocupação de oferecer projetos que acreditamos e a Dogecoin é muito sujeita à especulação. Dá para perder muito dinheiro com isso. Como vou explicar uma perda sem fundamentos ao meu cliente?”, diz Ricardo Dantas, co-CEO da corretora Foxbit.

“Eles prometem melhorias para ser um meio de pagamento viável. Caso isso aconteça, certamente listaríamos na corretora. Hoje, não confiamos”, afirma.

Quem, ainda assim, quer ter acesso à Dogecoin, tem três alternativas.

É preciso abrir uma conta em corretoras no exterior e ver a melhor forma de troca de valores pela moeda digital (seja conversão de dólares ou de outros criptoativos). Boa parte das corretoras, contudo, só faz negócios entre moedas digitais, o que pode exigir que se abra uma conta aqui e faça antes uma compra de bitcoins, ethereuns ou outra.

Também é possível partir para a mineração. Para isso, além de instalar softwares para os cálculos computacionais, alguns upgrades podem ser necessários no equipamento, como boas placas de vídeo. Além de ser um processo complexo, é bastante custoso. O desafio é tornar o procedimento rentável.

Por fim, é possível aderir à carteira digital e fazer as trocas entre usuários, o P2P. Há aí um jogo de confiança com a pessoa que se escolhe negociar. Como não há intermediação do negócio, o remetente das Dogecoins pode simplesmente não fazer a transferência.

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